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Discussão: Sexo Consensual X Sexo Não Consensual. Qual a diferença...?

Olá, pessoas!!!

A grande repercussão na mídia nos últimos dias em relação ao BBB 12 e a expulsão do participante Daniel por suspeita de estupro, recai em um tema muito discutido no mundo fetichista: sexo consensual X sexo não consensual, temos abaixo o famigerado video:

Em primeiro lugar, o sexo consensual é a base de todo o sexo fetichista que pregamos aqui no Drive-in do Motorista e como tal eu evito apoiar praticas fora do SSC (são, seguro e consensual). Sem essas três características, não é o sexo fetichista que apoiamos. Porém, existe dentro do fetichismo sério outra técnica conhecida como RACK – vou até explicar o básico do conceito dela aqui neste post, mas não recomendo para pessoas e relacionamentos que não tenham um bom tempo de BDSM com SSC. Dentro disso, é bem mais complicado se trabalhar sanidade e outras coisas que vem em primeiro lugar, na minha opinião.

Antes de qualquer relacionamento BDSM ou fetichista começar a primeira coisa é definir os limites de cada um (de todos os participantes, porque da mesma forma que a parte submissa não pode sofrer nada que a faça se sentir mal ou seja forçada a algo, a parte dominante também não o deve, nem que seja para agradar ou se mostrar superior). Algumas pessoas inclusive fazem “contratos escritos” com os limites, obrigações e deveres de ambos – por isso considero o BDSM e os fetiches uma das formas de relacionamentos mais sinceras e verdadeiras.

É obvio que as pessoas não conseguem determinar tudo o que é limite e por isso no SSC temos uma característica que é a safeword (palavra de segurança). Ela é combinada pelo casal antes das práticas e usada caso alguém passe do pronto. O objetivo é proteger ambos, mas principalmente a parte que está recebendo as práticas, que costuma ser sempre a mais vulnerável.

Mas como nem tudo pode ser definido no começo, principalmente quando não há experiência, existe além da safeword o SSC (são, seguro e consensual), para reger outros tipos de situações não imaginadas e manter as regras de conduta que garantam algo bom para ambos.

1º - SSC (São, Seguro e Consensual): Todo sexo ou prática fetichista que considero lícita deve seguir esse parâmetro, pelo simples motivo de que é o que nos diferencia dos malucos que fazem barbaridades por aí. São elas:

-NUNCA SOB HIPOTESE ALGUMA, as pessoas nunca realizam qualquer prática em estado alterado, com tendência a uma situação de insanidade ou mesmo sem saúde física.

Em resumo: não se pratica fetichismo com pessoas embriagadas, sob o efeito de medicamentos que alteram a consciência, em estado psicológico anormal (com traumas não tratados, em depressão, entre outros) ou em situações extremas (próximo a términos de relacionamentos ou com outro problema que tire atenção ou mexa demais com a pessoa).

Imagine só: se você não pode dirigir um carro bêbado, imagine dirigir um chicote ou uma pessoa?!?!?!?

Porém, existem casos de alguns fetiches onde essa questão é menos considerada como, por exemplo, o Sleep Sex (sexo dormindo). Pelo SSC, ele só pode ser praticado quando o lado que o recebe faz o pedido durante a consciência, e por escrito: “Olha eu quero que você me abuse quando eu estiver dormindo ou desacordada...” OK, neste caso pode ser porque é um desejo expresso pela pessoa. E mesmo assim pode dar problemas, porque o legal é rolar quando a pessoa menos espera e caso aconteça em um dia em que a pessoa não está bem, pode gerar desconforto. Por isso é algo que deve ser muito bem acordado entre as partes. Eu vou fazer um post separado sobre as técnicas de Sleep Sex e outras formas de sexo inconsciente, depois que passar toda essa discussão em torno do caso BBB – que não é a mesma que estamos debatendo aqui, porém muita gente pode entender e ver de uma forma errada.

2º Seguro: Todo fetiche praticado deve seguir as regras mínimas de segurança para todas as pessoas envolvidas. Alguns exemplos práticos:

- Sempre usar camisinha como em relacionamentos Baunilhas (normais). Não interessa a prática, é preciso seguir as técnicas que garantam a integridade física da pessoa, por exemplo:

- Existe uma técnica para Spanking (bater), que deve ser seguida para evitar danos reais (vou fazer um post com essas técnicas detalhadas posteriormente).

- Mesmo coisas que aparentemente não apresentam risco podem sim gerar situações de risco como o Bondage (imobilização erótica, amarrar). Se for feito errado, pode travar a circulação causando lesões. Em outra análise, imagine que um bondagista prenda sua bondagete e ele caia de cabeça e comece a sangrar gravemente. A moça presa vai morrer e ele também – então, dependendo do caso, deixe um faca ao alcance da pessoa amarrada ou um nó de emergência para desfazer.

-Asfixia erótica pode dar erradíssimo, pois pode colocar a pessoa me coma se passar do ponto certo.

Em resumo: se cerque de cuidados, todos os possíveis, para evitar acidentes.

3º Consensual: Tudo tem de ter autorização prévia ou pelo menos, a certeza do limite preestabelecido da pessoa.

- Se uma pessoa define algo como limite, não deve ser feito SOB HIPÓTESE ALGUMA – nem de brincadeira, a não ser que a pessoa mude de ideia. Mas o pedido deve partir dela, tem de ser algo para valer. Eu costumo dizer que o melhor é que a pessoa escolha de verdade e de preferência escreva isso, porque às vezes a pessoa resolve fazer algo para agradar a outra e não é o ideal, tem de ser por vontade própria.

- Segundo, inúmeras práticas são ilícitas por conta de não serem consensuais e como tal não devem ser feitas e algumas são graves e somos absurdamente contra, por exemplo:

Pedofilia: O doente do cara forçou uma criança porque ela não quis, além de ser um crime hediondo;

Zoofilia: Os animais não têm vontade própria para fazer isso com uma pessoa e o idiota do ser humano tarado não tem direito de forçá-los;

Necrofilia: Cadê o respeito ao morto que obviamente não tem vontade sobre o fato?

Além de pessoas que praticam qualquer tipo de violência não consensual contra a mulher. Pessoas assim são doentes e devem procurar tratamento, como já dissemos no cast anterior.

Além do SSC, há outra forma fetichista que não aconselhamos, mas vamos listar por curiosidade que é o RACK (Risk-Accepted Consensual Kink - que pode ser traduzido como tara de risco-aceito consensual). Aqui, basicamente não existe Safeword nem as regras do SSC. Uma pessoa simplesmente chega para a outra e diz: “Eu quero me entregar e não existem limites, nem certo ou errado”. A pessoa se torna escrava da outra e toda a vontade e consciência passa a ser da parte dominante, sendo que a parte submissa só tem a escolha de ficar ou partir. Pessoalmente, eu não aconselho e mesmo com a minha experiência de 12 anos de fetichismo e 8 como Dom, não recomendo RACK nem mesmo para pessoas muito experientes. Pessoas com relacionamentos de muita confiança vivem isso e algumas conseguem ser felizes assim, pessoalmente acho arriscadíssimo e lá fora ainda existe uma variação que pessoas com as mesmas preocupações que tenho criaram o PRICK (Personal Responsibility, Informed Consensual Kink – Tara de Responsabilidade Pessoal Informada e Consensual). É basicamente RACK, onde a responsabilidade do dominante é imputada ao máximo onde se der merda a culpa será dele. É algo que eu pessoalmente tenho curiosidade, mas demoraria anos de relacionamento para ariscar isso e em nível de experiência. Mas acho muito válido.

Por último, vou analisar o que houve no reality show BBB 12, o que me fez escrever esse post: o suposto Sleep Sex que foi considerado estupro no programa entre o Daniel e a Monique.

Vamos do começo: não foi fetiche nem de longe porque quebrou todas as regras básicas do SSC, não foi São (estavam os dois bêbados e alterados), Seguro nem de longe (nem passou perto uma camisinha), Consensual é o maior problema porque a moça não estava acordada e isso pode caracterizar um estupro, que é a primeira coisa que as pessoas pensam vendo o vídeo na Internet. Mas não foi fetiche por não seguir o SSC e não deve ser visto como Sleep Sex, já que não foi acordado por eles antecipadamente abaixo o depoimento da moça sobre o o corrido e por fim nossa opinião sobre o caso.

E sendo assim, no mínimo foi um risco muito grande de violência sexual e minha recomendação seria esperar a investigação. A Globo se apressou em expulsar o cara e não desfazer a situação, comprometeu tanto a integridade moral de ambos. Em contrapartida, acabou de ser divulgado na Internet o resultado do exame de corpo de delito da moça, que mostra que não houve penetração. Então, no máximo eu chamaria o que aconteceu de falta de caráter do cara de ficar ralando com a moça como ficou. No áudio dela explicando o caso, ela diz que eles se beijaram, amassaram, que ficaram PEGANDO NAS COISAS, só que no meio ela “apagou” – e ele logo em seguida pela bebida – mas que não lembra de nada (até por ela dormiu). Em resumo, as pessoas querem ver violência e imaginam isso onde às vezes não tem.

No máximo, em minha opinião, cabia uma desculpa dele e os dois se resolverem na casa vendo o vídeo e acertando os ponteiros do que aconteceu e não aconteceu. Se eu tivesse de escolher os responsáveis por tamanho mal estar é a Globo, que encheu os participantes do programa de bebida em um ambiente sensualizado. Induziu a uma situação de risco e só acabou com a eliminação do cara, em uma situação que vai manchar a vida do cara – que estava bêbado assim como a moça – que ficará na história como “vadia”. De qualquer forma, o cara agiu tão mal como ela, pois bêbado você não faz nem sexo baunilha, não foi um caso de uma menina de vestido sensual sendo atacada por um boçal. Foi provocação mútua, mas homens entendam uma coisa: se uma mulher não disser com todas as palavras:“Me Pega” não é para ser, OK? Vai para casa se masturbar pelo que não pode ter e é isso no máximo, OK? Não existe esse papo de que ela estava de roupa provocante: isso é errado, OK?

Bom pessoal, continuem nos lendo e ouvindo e comentem no site!

Abraços e beijos,

O Motorista

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